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Por Lucas Souza



Título: Austenlândia
Autor(a): Shannon Hale
Editora: Record
Páginas: 240
Ano: 2014
Skoob | GoodReads
Compre: Buscapé
Jane Hayes tem 33 anos e mora na Nova York atual. Bonita, inteligente e com um bom emprego, ela guarda um um segredo constrangedor: é verdadeiramente obcecada pelo Sr. Darcy. Embora sonhe com ele, os homens reais com os quais se depara são muito diferentes dos que habitam sua fantasia. Justamente por isso, ela decide deixar de lado sua vida amorosa e aceitar seu destino: noites solitárias aconchegada no sofá assistindo a Colin Firth em seu DVD. Porém, esses não são os planos que sua rica e velha tia-avó Carolyn, tem para a moça. A única a descobrir o segredo de Jane deixa, em seu testamento, férias pagas para a sobrinha-neta na Austenlândia. A ideia é que Jane tenha uma legítima experiência como uma dama no início do século XX e consiga se livrar de uma vez por todas de sua obsessão. Contudo, para isso, ela terá que abrir mão do celular, da internet e até do uso de sutiãs em troca de tardes de leitura, espartilhos e… a companhia de belos cavalheiros.

Imaginem um lugar para fãs de Jane Austen em que todo o mundo criado por ela é possível. Imaginaram? Jane, de 33 anos, nova-iorquina e solteirona vai para lá. Depois de ganhar uma viagem de sua tia avó, a moça apaixonada por Colin Firth na adaptação de Orgulho e Preconceito e colecionadora dos livros e filmes de Austen, embarca num avião direto para a Europa. Lá ela vai fantasiar durante dezoito dias todo o mundo do Sr. Darcy. Mas essa aventura irá renovar Jane tanto por dentro quanto por fora, e será capaz de fazer com que ela descubra que os homens não podem e nunca serão cópias exatas de personagens criados em livros.

É sério, uma mulher de 30 e poucos anos não deveria sonhar acordada com um personagem fictício de um mundo de 200 anos de idade a ponto de influenciar sua vida e seus relacionamentos reais e muito mais importantes.
Página 16

Quando li a sinopse de Austenlândia fiquei animado e logo adicionei o livro na lista de desejados. Fiquei pensando como seria um lugar onde fantasiavam o mundo de Jane Austen. Acompanhar a história de Jane (a nova-iorquina) foi deliciosa e divertida.

Nessa viagem maluca (sim, não há adjetivo melhor para essa aventura), Jane foi viver por um período num castelo com vários atores fingindo ser personagens de Orgulho e Preconceito de Austen. Esse fingimento rendeu boas gargalhadas e a dúvida sobre o quanto os personagens distinguiam o real do fictício. 

A relação que Jane criou com Martin, o jardineiro, e Sr. Nobley foi bem divertida. Os diálogos simples e bem estruturados entre eles foram um ponto positivo do livro, carregados também de um humor delicioso. Porém, o que é um pecado, é a superficialidade do triângulo amoroso. 

Será que a própria Austen se sentia assim? Sera que sentia esperanças? Jane se perguntou se a escritora solteira havia morado na Austenlandia e se tinha a sensibilidade parecida à de Jane: satisfeita, horrorizada, mas em verdadeiro perigo de se deixar levar”
Página 151

Não consegui mesmo discernir o quão profundo esse sentimento repentino era real e se foi mesmo verdadeiro ao fim da história. Fiquei com a sensação de que apesar da personagem correr atrás de um homem ideal, e tendo vido feito isso há anos, ela acabou mais uma vez com uma relação completamente vazia e sem futuro.

Austenlândia é interessante, engraçado e uma boa pedida para os fãs de Jane Austen. Como eu ainda não li nada da autora, posso ter ficado com uma lacuna maior para entender melhor esse universo de Orgulho e Preconceito. Mas consegui, claro, absorver o conteúdo e sua mensagem. Shannon Hale escreveu um livro ideal para leitoras que acabam por esquecer os homens que existem na vida real e se apegam aos personagens fictícios. Existe um mundo maravilhoso nas páginas de um livro, mas existe também outro tão bom quanto fora delas. 

Então, amem o Sr. Darcy o quanto puderem, suspirem e fantasiem, mas não se esqueçam de que a vida real também reserva homens muito bons.

Resenha escrita por Lucas Souza

Obs.: Esse post não é um publieditorial, mas compras efetuadas a partir de alguns dos links contidos aqui, geram renda para o blog.




Título: A viagem de Íris
Autor(a): Gill Lewis
Editora: Galera Junior
Páginas: 208
Ano: 2014
Skoob
Compre: Buscapé 

Quando Callum conhece Iona, nem imaginam que, aos poucos, se tornariam grandes e leais amigos. Os dois se unem pela promessa de manter em segredo a descoberta fantástica do que habita discretamente na fazenda da família de Callum, na Escócia. Mas conseguirão protegê-la? Para honrar o que prometeram, dão início a uma bela e marcante história de amizade. Digna dos mais puros sentimentos. Capaz de mudar vidas para sempre e tocar o coração de dezenas de pessoas em um alcance inimaginável. Tudo por Íris.
favorito
Bom, quando a Fer me pediu para escolher algo da Galera eu não vi nenhum título que me chamou de cara a atenção, então fui e reli todas as sinopses de todos os títulos e acabei optando por ‘A viagem de Íris’ por não ter encontrado nenhuma resenha publicada e a página dele no Skoob ser pouco movimentada, inicialmente pensei ‘oh pobre livro, por que eis tão ignorado?!’, ao finalizar a leitura pensei ‘oh adorado livro, por que eis tão ignorado?!’.

 



Callum é filho do dono de uma grande fazenda na Escócia, durante anos ele e Iona não mantiveram contato, até que em uma tarde ele flagra Iona ‘furtando’ peixes de um rio que fica dentro da fazenda. Em uma tentativa desesperada de ganhar liberdade para pescar Iona promete a Callum que irá lhe contar um grande segredo sobre a fazenda caso ela possa continuar indo lá, ele aceita a proposta e a partir disso uma relação de amor incondicional começa entre ele, Iona e o segredo. Mas o destino é cruel e muitas vezes causa grandes estragos, e a amizade de Iona e Callum se torna uma vítima desse vilão. Entretanto, o segredo continua vivo e precisará da ajuda de Callum para se manter e isso mostrará a todos que amizade é algo que pode nascer até mesmo das relações mais improváveis. 



‘(…) senti uma dor no fundo do peito. Ela estava a milhares de quilômetros. Estava muito doente. E, de repente, me senti total e completamente impotente. ’
Página 156


Eu não tenho palavras boas o suficiente para descrever esse livro, sabe aquele livro que você termina e pensa ‘o mundo inteiro precisa ler isso’? Então, se você souber, vai entender como me sinto em relação A viagem de Íris. É um livro incomum no mercado editorial atual, ele não tem os elementos que estão em voga, ele não tem um romance de tirar o fôlego, mas ele tem uma doçura e uma carga de amor tão grande e bonita que dificilmente alguém não vai gostar.


Um ponto interessante sobre a trama é que ela tem alguns elementos similares a ‘Ponte para Terabítia’, os personagens principais são crianças, criam um universo particular só deles e o ‘q' de drama, mas A viagem de Íris vai além, muito além, além de mais emocionante ele preenche o vazio que Ponte para Terabítia carrega e isso é fantástico. 

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que há algum tempo venho apresentando sintomas de uma grave ressaca literária, tenho diversos livros que comecei, mas a leitura não engatou e acabei colocando a culpa na falta de tempo, mas no fundo foi a ressaca que me afastou deles. Fico o tempo inteiro procurando algo original ou ao menos diferente de tudo que eu já li e nunca encontro, ou melhor, não encontrava, mas A viagem de Íris me pegou de jeito - no melhor sentido do termo - e me fez acreditar novamente na minha busca pela diferença, ele me mostrou que vale a pena continuar procurando e dar chance ao desconhecido.

Adorei, adorei, adorei e adorei mais um pouquinho a leitura. O livro é realmente encantador e recomendo a leitura a todos os tipos de leitores, a leitura é fácil e rápida, o livro é curtinho, com sorte você lê em um dia, eu demorei mais que isso porque minha agenda está uma loucura e meu tempo cada vez mais escasso, mas se eu tivesse mais tempo teria lido mais rapidamente.

Espero que vocês leiam e gostem tanto da história quanto eu gostei, aos que já leram quero saber a opinião de vocês hein? haha.


Um beijo e até breve.


Obs.: Esse post não é um publieditorial, mas compras efetuadas a partir de alguns dos links contidos aqui, geram renda para o blog.


Título: Metamorfose?
Série: O Protetorado da Sombrinha - Vol. 2
Autor(a): Gail Carriger
Editora: Valentina
Páginas: 320
Ano: 2013
Skoob | GoodReads
Compre: Buscapé | Submarino
Nesta deliciosa e maldita sequência da série iniciada com ALMA?, Alexia Tarabotti se encontra envolvida, só pra variar, em um mistério sobrenatural. Alexia Maccon, a esposa do Conde de Woolsey, é arrancada do sono cedo demais, no meio da tarde, porque o marido, que deveria estar dormindo como qualquer lobisomem normal, está aos berros. Dali a pouco, ele desaparece – deixando a cargo dela um regimento de soldados sobrenaturais acampados no jardim, vários fantasmas exorcizados e uma Rainha Vitória indignada. Mas Lady Maccon conta com sua fiel sombrinha, seus artigos da última moda e seu arsenal de respostas mordazes. Mesmo quando suas investigações a levam à Escócia, o cafundó do Judas onde abundam abomináveis coletes, ela está preparada e acaba provocando uma verdadeira reviravolta na dinâmica da alcateia, como só uma preternatural é capaz de fazer. Talvez até encontre tempo para procurar seu imprevisível marido. Mas apenas se… lhe der vontade. A série de steampunk mais cultuada do mundo!

Atenção essa resenha contém spoilers do primeiro livro da série, Alma?

Alma? que é o livro que inicia a série, foi um dos primeiros steampunks que li e me deixou muito interessada no gênero e cheguei a me comprometer comigo mesma a ler mais livros do gênero, já Metamorfose? foi um dos livros que me fez repensar até onde os livros desse gênero podem me divertir e já penso em tomar mais cuidado nas próximas escolhas, no decorrer dessa resenha vocês entenderão o motivo.


Após o inesperado casamento de Alexia e Lorde Maccon, o casal tem estado bem em uma harmonia que nenhum dos dois poderia prever que teriam, mas quando o conde desaparece deixando toda alcateia na responsabilidade dela e um grande mistério a ser desvendado para trás, Alexia parte em uma aventura para salvar toda a comunidade sobrenatural e pode desvendar segredos que ela nem imaginava que existiam.

- O verdadeiro amor supera todos os obstáculos.
Página 160

Alexia permanece engraçada e irreverente nesse segundo volume da série. Seu marido Conall também permanece mandão e bruto, mas agora já assume que é domado por ela como todo macho (?) pode ser domado por sua fêmea (?). Isso mesmo, talvez pelo fato de Conall ser um lobisomem, fica bem claro essa relação macho/fêmea, nada como o modo convencional que enxergamos um casamento. E é essa uma das coisas que pode incomodar - e muito - durante a leitura.

Além do casal central, personagens que se destacam no livro são Ivy que é a melhor amiga de Alexia que me dava uma impressão de cio infinito (?), Felicity - uma das irmãs malas da Alexia que não acrescenta nada na história, só irrita - e a inventora Madame Lefoux que dá traz a esse volume as engenhocas e uma boa dose de mistério - e é bem mais relevante para a história do que as duas citadas anteriormente. Exitem alguns outros personagens relevantes na história como a Lady Kingair que é uma oponente a altura da língua ácida de Alexia e traz alguns dos diálogos mais interessantes, mas falar muito sobre eles pode trazer spoilers e não é o que pretendo aqui.

Lady Maccon espetou com o garfo uma cenoura molenga e se perguntou se alguém sentiria falta de sua querida irmã caso ela despencasse da balaustrada do convés superior.
Página 141

Apesar da narrativa permanecer em terceira pessoa, nesse livro a autora parece ter perdido um pouco o talento de envolver e cativar o leitor. Em boa parte do livro a história é lenta e tediosa por terem muitos diálogos que além de chatos, não levam a história para canto nenhum e isso me fez ter uma vontade enorme de abandonar o livro. O que me fez permanecer foi a curiosidade em saber o que acontecia com os seres sobrenaturais que foi sem dúvida uma das coisas mais bacanas criadas pela autora nesse volume. Mas só.

Uma coisa que me incomodou bastante foi o excesso de tensão sexual - já que sexo em si não tem - entre alguns personagens, achei desnecessário para história e fiquei com a impressão de que a autora só colocou para permanecer a chama sexual (?) ali. No primeiro livro, as poucas cenas de sobre sexo faziam mais sentido do que aqui, mesmo depois de terminar a leitura e pensar em tudo, não vi sentido em boa parte delas.

- Tem certeza de que não precisa de ajuda para se despir? Seria um prazer ajudá-la, em lugar de sua criada.
Página 155

Mesmo com todas as ressalvas, é impossível deixar de reconhecer que Gail é criativa. As tramas dela sempre terminam bem resolvidas e com todas as respostas necessárias para o volume, mas esse deixa um gancho enlouquecedor para o próximo, quando a história realmente ficou boa pra mim, aconteceram algumas coisas que só vão se resolver no próximo livro. Mesmo que eu não goste de finais assim, entendo a autora ter feito isso porque de outro jeito e não teria tanta curiosidade pelo próximo.

Enfim, Metamorfose? é um livro bom, mas não foi nem de perto tão divertido e interessante quanto o primeiro volume da série. A dúvida que fica pra mim é se a autora volta com tudo no terceiro livro ou vamos ter mais um pouco de irritação para que a história ande novamente. Só lendo o próximo pra saber.

Esse livro foi cedido pela Editora Valentina.

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Título: O amor é outra coisa
Autor(a): Edson Aran
Editora: Geração Editorial
Páginas: 160
Ano: 2013
Skoob
Compre: Buscapé | Submarino
O amor é outra coisa” se tornou o “meme” mais famoso do Twitter, ganhando milhares de seguidores, apesar do insistente apelo do seu autor, várias vezes tuitado e retuitado: “Não me siga, também estou perdido”. O “meme” (espécie de vírus cultural que se instala na cabeça das pessoas e começa a se reproduzir sozinho) virou febre e todo mundo começou a copiá-lo. Agora, o seu criador, Edson Aran, reúne neste livro toda a série “o amor é outra coisa” e também vários outros pensamentos igualmente inúteis sobre a dor da existência, o sentido da vida, os descaminhos da humanidade e a busca da felicidade, juntando o melhor do seu amor e do seu humor. Divirta-se com as tiradas nada sutis deste livro, que não ensina coisa alguma, mas nos faz rir de tudo. O humor, afinal, é algo que, uma vez dentro de você, faz o seu coração bater melhor. Ou melhor, não é não. O nome disso é marca-passo. O humor é outra coisa.



O que mais me fez querer ler esse livro foi ter visto várias frases sobre O amor é outra coisa nesses anos de internet e achei que seria bacana ter alguns deles na minha estante, além de algumas outras frases bem humoradas para ler de vez em quando por distração. E posso dizer que esse desejo o livro satisfaz, mas só.




Em O amor é outra coisa, o autor traz algumas frases de sua autoria não só com sátiras sobre o amor como outras situações do cotidiano. A maioria delas podem te arrancar boas risadas, outras nem tanto vai depender bastante do tipo de piada que pessoalmente cada um aceita. Eu particularmente não curti algumas, mas como para mim humor é algo complicado e depende do gosto pessoal de cada um, não chega a ser algo para rotular um livro como ruim ou de mau gosto.




De forma geral, vale a experiência, principalmente para quem não estava pela na internet na época desse meme e quer ver alguns exemplos ou quer apenas um livros com frases engraçadas para se distrair da rotina que vem acompanhados de boas fotografias.



A diagramação do livro é excelente, os responsáveis souberam escolher boas imagens para acompanhar os textos o que pra mim é essencial em livros ilustrados para que eles não percam a sua essência. Sem dúvida um ótimo livro para uma tarde preguiçosa ou após alguma leitura que exija muito de você, para passar o tempo já que o livro é curtindo e cheio de imagens.


A linguagem usada é totalmente informal e por isso ele tem a mesma essência de um bate papo entre amigos onde aquele mais engraçadinho solta algumas piadinhas para divertir os que estão a seu lado. Enfim, leiam.


Esse livro foi cedido pela Geração Editorial.

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Título: O Mundo de Marguerite Sülever
Autor(a): Mylena Araújo
Editora: Selo Jovem
Páginas: 170
Ano: 2013
Skoob
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1814 França, Lyon, lar do senhor Sülever um homem ganancioso e cruel. Marguerite sua única filha ganha o desprezo do pai ao nascer e seu berçário torna-se o leito de morte de sua mãe, com ódio e tristeza em seu coração, Senhor Sülever evita tudo e a todos, trancando-se em sua grande biblioteca. Com o passar dos anos a pequena miss Marguerite, como é chamada por sua governanta Suellen, tem o pai como um completo estranho, mas nem tudo está perdido, a pequenina tem a companhia de seus fiéis primos Freana e William. Ao completar seus 14 anos de idade, a jovem Marguerite finalmente tem um final feliz e misterioso.


Com apenas 13 anos, a pequena Marguerite tem tudo o que muitos podem querer é filha de um homem muito rico, tratada por sua governanta Suellen como uma princesa, tem dois primos maravilhosos como companhia - Freana e William - só que mesmo assim é muito infeliz devido a rejeição que sofre por parte de seu pai que não aceita que sua mãe , nada menos que seu grande amor, faleceu para que ela pudesse nascer. E por isso ela cresce com a ausência do pai, consequente uma ausência de amor.

Morgana e Ramon Sülever apesar de se amarem muito, são um casal bem diferente do que estamos acostumados a ver na literatura. Enquanto ela é gentil e carinhosa com todos a sua volta, ele é extremamente orgulhoso e rude, até mesmo com sua amada esposa. E isso acaba se refletindo muito na relação com sua filha Marguerite por ele sentir que ela tem culpa na morte da mãe, mesmo a menina sendo extremamente parecida com sua mãe por sua bondade e doçura.

A amizade entre Marguerite e seus primos Freana e Willian que perderam seus pais, na mesma época em que a menina nasceu e precisaram ser criados pelo tio é emocionante. Todos cresceram sem o amor dos pais, mesmo que devido a circunstâncias diferentes e a governanta passou a assumir o papel de mãe deles por isso, a vida deles não é resumida apenas em abandono, mas mostra um amor que surge onde menos se espera.

Com uma narrativa simples e sem muitos detalhes de época - algo que eu sinceramente esperava ver pelo livro se passar na França em 1814 -, o livro prende o leitor pela curiosidade no desenrolar da história já que é totalmente imprevisível o capítulo seguinte, por isso é uma leitura perfeita para uma tarde ociosa.

Apesar de ter uma proposta até interessante, O Mundo de Marguerite Sülever infelizmente não foi um livro que me agradou muito por achar a narrativa não contribui muito para a mensagem que a autora tentou transmitir de como com muita persistência é possível alcançar a redenção de uma pessoa. Também não consegui me envolver satisfatoriamente com a parte sobrenatural que é apresentada no decorrer da história, achei que ficou um tanto confusa nessa parte e poderia ficar mais convincente se fosse destacada desde o início da história e mais aprofundada.

Mesmo com essas ressalvas, o livro vale a pensa ser conferido por ter uma boa história para ser conhecida e ser uma leitura rápida. Certamente não agradou a mim, mas pode sim conquistar outras pessoas. A editora informou que está trabalhando numa melhora da história para a segunda edição o que mostra o comprometimento da editora com seus leitores.

Esse livro foi cedido para resenha pela Editora Selo Jovem.


O ano de 2013 foi incrível para os cinéfilos de plantão, com excelentes produções de tirar o folego e que nos prenderam em frente a telinha (ou telona) durante horas. Mas, 2014 está apenas começando e já temos grandes promessas para o cinema, entre elas, estão as franquias mais populares do mundo, as adaptações do livros mais lidos, os heróis mais amados, e muito, muito mais. A seguir, alguns do filmes, pelos quais estou mais ansiosa para o lançamento.



Transformers: A era da Extinção
Lançamento: 17 de julho de 2014
Dirigido por: Michael Bay
Gênero: Ação/Ficção Científica
Nacionalidade: EUA
Mais Informações
Anos após o grande confronto entre Autobots e Decepticons em Chicago, os gigantescos robôs alienígenas desapareceram. Mas, quando Cade (Mark Wahlberg) encontra um caminhão abandonado, jamais poderia imaginar que o veículo, na verdade, é Optimus Prime, o líder dos Autobots. Ao trazê-lo de volta à vida, ele e sua filha Tessa (Nicola Peltz) acabam entrando na mira das autoridades americanas.



A culpa é das Estrelas
Lançamento: 5 de junho de 2014
Dirigido por:
Josh Boone
Gênero: Romance/Drama
Nacionalidade: EUA
Mais informações
Depois de ser diagnosticada com câncer, Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Mas, após passar anos lutando com a doença, a jovem é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio e logo conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que vai mudar completamente a sua vida.




Malévola
Lançamento: 29 de maio de 2014 
Dirigido por: Robert Stromberg
Gênero: Fantasia
Nacionalidade: EUA
Mais informações
O longa conta a história da vilã de “A Bela Adormecida”, que será interpretada por Angelina Jolie, Malévola apresentará uma nova perspectiva sobre o clássico conto, trazendo Angelina Jolie com os chifres e asas da vilã e Elle Fanning no papel da Princesa Aurora. No elenco também estão Elle Fanning, Juno Temple e Brenton Thwaites.




Divergente
Lançamento: 17 de abril de 2014 
Dirigido por: Neil Burger
Gênero: Ação/Romance/Ficção Cientíca
Nacionalidade: EUA
Mais Informações
Baseado no livro “Divergente”, escrito por Veronica Roth, é sucesso entre o público adolescente. Na trama, a protagonista Beatrice “Tris” Prior, é uma adolescente que mora numa versão distópica e futurista da cidade de Chicago, nos Estados Unidos, onde a população é dividida entre cinco facções baseadas em diferentes virtudes humanas. Mas, ela descobre que não pertence a nenhum grupo pré-estabelecido, e por isso, se junta à luta contra o governo totalitário, representado por Jeanine Matthews (Kate Winslet). Ao lado dos divergentes, Tris conhece Quatro (Theo James), por quem se apaixona.





Noé
Lançamento: 03 de abril de 2014 
Dirigido por: Darren Aronofsky
Gênero: Aventura/Épico
Nacionalidade: EUA
Mais Informações
Uma adaptação do conto bíblico de Noé. De acordo com a Bíblia, Deus estava descontente com a perversidade dos humanos e pretendia destruí-los, poupando apenas os animais e Noé, que ele considerava o único homem justo na Terra. Assim, ele deu ordens a Noé para construir uma arca e abrigar um casal de cada espécie de animal existente na natureza, afim de protegê-los do dilúvio.



Capitão América 2 - O Soldado Invernal
Lançamento: 
10 de abril de 2014
Dirigido por: Anthony Russo, Joe Russo
Gênero: Ação/Aventura/Drama
Nacionalidade: EUA
Mais Informações
O Soldado Invernal se passa dois anos após Os Vingadores - The Avengers. Steve Rogers (Chris Evans) luta para cumprir seu papel no mundo moderno, em parceria com Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), também conhecida como Viúva Negra, para derrotar um poderoso e misterioso inimigo na cidade de Washington dos dias atuais. 





O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro
Lançamento:
1 de maio de 2014 
Dirigido por: Marc Webb
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia
Nacionalidade: EUA
Mais Informações
Após as aventuras de O Espetacular Homem-Aranha em 2012, Peter Parker (Andrew Garfield) tenta a todo custo, manter a promessa que fez ao pai de Gwen Stacey (Emma Stone), de que a protegeria, mas, sem chegar perto dela. Entretanto, o herói está apaixonado, e não consegue se afastar. Ao mesmo tempo, vários inimigos tomam conta da cidade, e assim, renasce um novo vilão, o poderoso Electro (Jamie Foxx), para desafiar as habilidades do Homem-Aranha.

E vocês, que super produção estão contando os dias para poder assistir?

Título: A Prisão Mal-Assombrada
Autor(a): Joseph Delaney
Ilustrações: Scott M. Fischer
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 112
Ano: 2014
Skoob | GoodReads
Compre
A história começa com a primeira noite do órfão Billy, de quinze anos, como guarda de uma sinistra prisão. Mas essa não é uma cadeia qualquer com prisioneiros comuns. Nela há celas mal-assombradas que não podem ser usadas, sussurros e gritos durante a noite. E o temido Poço da Bruxa. Billy é alertado a manter distância do prisioneiro que fica lá no fundo do poço. Mas quem poderia ser? O que poderia ser tão assustador?
O cenário deste livro é inspirado no Castelo Lancaster, onde, em 1612, as bruxas de Pendle ficavam trancadas antes de serem julgadas e enforcadas. Elas eram mantidas em uma cela conhecida como Poço da Bruxa. Quando Joseph Delaney visitou o castelo, ficou imaginando o que teria restado lá embaixo depois que as bruxas se foram.
Uma história de terror digna dos mestres do gênero.

Desde que a editora anunciou o lançamento desse livro, fiquei muito curiosa para conferir, por já ter uma vontade imensa de ler Aventuras do Caça-Feitiço por ser tão elogiada que é do mesmo autor. Como já dito na sinopse, o cenário desse livro é inspirado no Castelo Lancaster, conhecido por em 1612 ser o local onde as bruxas de Pendle ficavam trancas até serem julgadas e enforcadas.

Ninguém se aproximava do castelo sem ser percebido. Sempe havia olhos observando, sempre havia pessoas vigiando alguma aproximação.
Página 20

O protagonista, Billy Calder é um garoto orfão comum que deseja apenas conseguir algum dinheiro para sobreviver assim que sair do orfanato em que vive, por isso aceita trabalhar na prisão como guarda. Billy já sabe que da fama nada boa do local que o deixa com muito medo, ele não tem como escolher um outro tipo de trabalho e isso o ajuda a encarar o local assustador.

Com uma narrativa simples e em primeira pessoa, A prisão mal-assombrada prende o leitor logo nas primeiras linhas pela curiosidade já que o autor consegue criar todo um mistério e deixa aquele ar sombrio nas palavras do garoto que deixa claro todo seu pavor pelo lugar só das histórias que ouviu sobre os fantasmas que cercam o lugar com destaque para Netty Pescoçuda, umas das prisioneiras executadas no lugar e que o assombra. 

Outro personagem que merece destaque é Adam Colne, é ele quem fica responsável por auxiliar Billy no início das suas atividades e seu jeito rustico, já deixa o garoto avisado que as regras do local não podem ser violadas nunca. Mesmo com o jeitão duro de ser dele, percebe-se o seu lado paternal na forma de orientar o garoto e pra mim, na condição de mãe, não foi difícil me identificar, rs.

- Essa é a entrada para o Poço da Bruxa, e, atrás daquela porta, você enfrentará o seu pior pesadelo. Nunca vá até lá e agradeça por não estar no meu lugar.
Página 50

Para completar todo esse clima de terror, o livro tem ilustrações que complementam muito bem o clima do texto. Esse casamento perfeito entre texto e ilustrações pra mim costuma fazer toda a diferença, por isso fiquei muito satisfeita com o conjunto pois Scott M. Fischer fez um belíssimo trabalho. Eu recebi primeiro a prova, que foi onde fiz a primeira leitura - sim, eu li duas vezes - e alguns dias atrás recebi a versão definitiva e não houve muita diferença nas ilustrações.




O que deixa um pouco a desejar é que a história acaba quando fica mais interessante, acaba. Sei que já era algo previsível pela quantidade de páginas e por ser um livro infantojuvenil, mas mesmo assim fiquei com aquela sensação de por que o autor não escreveu mais? já que o livro tem um grande potencial. Vale também ressaltar que com certeza a proposta do autor ao escrever esse livro, não era criar nada complexo tanto que não houve um aprofundamento dos personagens, ele queria apenas passar ao seu público as lições aprendidas por Billy decorrentes do seu comportamento e nesse ponto cumpriu bem o seu objetivo.

Livro mais do que indicado para todas as idades, certeza que mesmo que você que você não esteja entre o púbico que o livro se direciona, vai sentir muito medo enquanto lê esse livro e a leitura será bem rápida.

A prova e o livro foram cedidos pela Editora Bertrand Brasil.

Obs.: Esse post não é um publieditorial, mas compras efetuadas a partir de alguns dos links contidos aqui, geram renda para o blog.


Gênero: Drama/Política
Duração: Aproximadamente 50 minutos
Adaptada por: Beau Willimon
País de Origem: Estados Unidos
Estréia: Mundial no Netflix, em 01/02/2013
Temporada: 1ª e 2ª Temporadas
Classificação: maiores de 18 anos
Assista
O fim justifica os meios
Astuto e inescrupuloso, o congressista Francis Underwood (Kevin Spacey) e sua esposa Claire (Robin Wright) são implacáveis na busca pelo poder. Esta instigante série política entra no mundo de ganância, corrupção e sexo de Washington. Kate Mara e Corey Stoll também atuam na primeira série original de David Fincher, de (“A rede social”) e Beau Willimon.


Quem acompanha o blog, principalmente nas redes sociais, sabe que eu não sou fascinada por séries. Isso começou a mudar um pouco quando assinei o Netflix no ano passado após estudar a possibilidade de voltar a ter TV paga em casa e optei por ele que por não ter comerciais durante os programas infantis, me deixaria mais tranquila e a possibilidade de assistir um filme com o maridão no fim de semana sem precisar alugar (sim, eu ainda alugava, rs) ou comprar DVD’s. E foi assim que cheguei a House of Cards, por uma sugestão do próprio Netflix por e-mail quando estava próximo da estréia da segunda temporada.

House of Cards foi adaptada por Beau Willimon a partir dos livros que formam a trilogia escrita por Michael Dobbs chamada Francis Urguhart que já havia sido adaptada para a TV pela BBC em 1990. A trama gira em torno de Frank Underwood brilhantemente interpretado por Kevin Spacey, que após ser traído pelo presidente que ajudou a eleger traça um plano para derrubá-lo e conta com a ajuda de sua esposa Claire (Robin Wright). Uma personagem que se destaca logo no início da primeira temporada é a jornalista Zoe Barnes (Kate Mara) que se torna aliada de Frank para obter notícias exclusivas sobre a Casa Branca para alavancar sua carreira.


Pode ser novidade para algumas pessoas que acompanham o blog, mas eu adoro ler e debater política só que não faço isso em qualquer local ou com qualquer pessoa, apenas com pessoas que eu acredito que possam se interessar em aprender ou me ensinar algo, além de terem a capacidade de manter um diálogo saudável, provavelmente por isso a trama me fisgou de uma forma que ficava frenética pelo próximo episódio, afinal mostra de forma bem ampla do que pode ser capaz um político corrupto.

Kevin Spacey na pele do inescrupuloso Frank Underwood

Apesar de o seriado ser baseado na política dos EUA (o que pode facilmente confundir as pessoas pois o modo de governo de lá é um pouco diferente daqui), não é difícil mexer com a sua cabeça e te levar a questionar sobre o que acontece no Brasil. Tanto isso é verdade, que a Revista Isto é recentemente teve a capa de uma de suas publicações inspiradas na série.

Capa da Revista Isto é (a direita), imagem promocional da primeira temporada. (Fonte)

Frank pode ser definido como aquele vilão que amamos odiar, pois ele envolve muito bem o espectador em todas as suas armações principalmente quando fala com a gente como verdadeiros cúmplices dessa sujeirada toda. Quem bolou essas forma de interação com o público está de parabéns, torna tudo mais agradável e envolvente.

Casal Underwood (imagem de divulgação)


O ponto alto na série para mim, é a cumplicidade explícita do casal principal, eles tem uma química tão perfeita que conseguem dizer um ao outro - e ao espectador também - exatamente o que querem apenas com uma simples troca de olhares e, nessas cenas ‘mudas’ é que eu fiquei simplesmente mais admirada com o trabalho feito aqui. Não que todo o resto não seja importante, mas Kevin e Robin foram simplesmente brilhantes na pele do casal Underwood.

Via Frank Wnderwood Frases

Confesso que comecei a assistir a série achando que seria apenas mais uma, e me surpreendi tanto com a forma que a trama se desenrola que estou terrivelmente abalada por ter que esperar um ano para assistir a próxima temporada. Por mais que pareça impossível em um primeiro momento, todo personagem por mais insignificante que ele possa parecer no início, é extremamente importante para Frank revelar tudo que ele é capaz e surpreender quem está assistindo.

Claro que tudo isso, não é mérito apenas de Kevin Spacey, todos os atores tem atuações ótimas e tem seu momento para brilhar que vem sempre cheio de emoção e claro, muito drama para noss deixar presos.

Parte do elenco da série (imagem de divulgação)

Então se em um primeiro momento você achar que os núcleos que envolvem personagens como a Zoe Barnes, o Patrick Russo (Corey Stoll) ou até mesmo o Presidente Garrett Walker (Michael Gill) um tanto apagadinhos no início, saiba que eles tem tudo para te cativar e te deixar extremamente apreensivo em breve.

A única coisa que me deixou incomodada e me fez  não dar 5 estrelas para a série, foram os sumiços de alguns personagens. Sei que provavelmente eles estarão de volta na terceira temporada que espero ser o desfecho de tudo, mas mesmo assim fica aquele vazio no enredo que em um primeiro momento é preenchido pela tensão dos acontecimentos, mas logo que você termina um capítulo, você se pergunta ‘para onde tal personagem foi?’.

Enfim, se tudo que falei aqui não te convenceu do quão incrível é essa série, te desafio a assistir pelo menos um episódio - se o gênero dela te atrai, é claro - para ver se ela vai ou não te envolver e depois vir aqui me contar.



Título: O Espadachim de Carvão
Autor(a): Affonso Solano
Editora: Fantasy - Casa da Palavra
Páginas: 256
Ano: 2013
SkoobGoodReads
Compre: Buscapé | Submarino
Kurgala é um mundo abandonado por Quatro Deuses. Adapak é filho de um deles.
E agora está sendo caçado.
Perseguido por um misterioso grupo de assassinos, o jovem de pele cor de carvão se vê obrigado a deixar a ilha sagrada onde cresceu e a desbravar um mundo hostil e repleto de criaturas exóticas. Munido de uma sabedoria ímpar, mas dotado de uma inocência rara, ele agora precisará colocar em prática todo o conhecimentos que adquiriu em seu isolamento para descobrir quem são seus inimigos. Mesmo que isso possa comprometer alguns dos segredos mais antigos de Kurgala.

Admito que tive um certo receio em resenhar esse livro. A razão é que, de certa forma, conheço o autor já há anos, através de um podcast que ele mantém com seus amigos, o MRG. Por já simpatizar com o Affonso tive medo de que isso pudesse influenciar minha opinião sobre o livro, mas meu medo foi infundado. Após ler O Espadachim de Carvão em apenas quatro dias posso dizer, sem nenhum remorso, que foi uma ótima leitura.

– Bom, as Tábuas Dingirï contam que no começo de tudo, Kurgala era um enorme mar sem fim. E os espíritos de Abzuku e Tiamatu eram seus senhores, e nada mais além deles existia.
Página 67

O livro narra a jornada de Adapak, filho de um dos Quatro Deuses de Kurgala, enquanto foge por um mundo sobre o qual pouco sabe. Assim como Harry pegando o trem para Hogwarts e Frodo pisando pela primeira vez fora do Condado, acompanhamos Adapak em suas descobertas nessa terra estranha e por vezes hostil. Conhecemos mais sobre o personagem conforme ele avança pelas dificuldades e se apresenta para o mundo como um ser bom mas ingênuo, que tem dificuldade para entender como Kurgala realmente funciona.

Criar um protagonista ignorante do mundo pode até ser uma técnica clichê, mas funciona muito bem e com ela foram escritas algumas das melhores obras conhecidas. Assim podemos entrar na imaginação do autor aos poucos, de maneira confortável e prazerosa, e também aprendemos mais. Imagine o seguinte: você entrou num museu de uma cultura sobre a qual nada sabe e simplesmente começou a ver peça por peça, numa ordem aleatória. É bem provável que, ao final da visita, pouca coisa tenha sido realmente absorvida sobre aquela cultura, pois dificilmente você poderá correlacionar tudo o que viu de maneira tão caótica.

Porém, se houver alguém para guiá-lo pelas peças e explicar pelo menos o básico sobre elas, ao final do dia você terá no mínimo uma ideia geral de como aquela cultura funciona. Posso arriscar a dizer que Adapak é, ao mesmo tempo, o guia e o visitante, enquanto Kurgala é o museu. Aprendemos na mesma medida que ele, fazendo com que a narrativa flua como poucos livros conseguem.

- Vou te dizer o por quê - ela prosseguiu. - Porque nossa profissão me faz ver a realidade das coisas, entende? Nós lembramos ao mundo que não importa o quão altas nossas torres subam ou quantos livros algum intelectual pedante tenha lido; somos todos só um bando de animais. Animais vestidos de pano por cima das carcaças, mas ainda assim animais. Gostamos de nos convencer do contrário, mas só porque temos vergonha do que realmente somos capazes.
Página 204
Outro aspecto que gostei bastante em O Espadachim de Carvão foi a maneira como o autor se expressou através de seus personagens. Muitos deles existem não apenas como parte da história, mas também como parte dos pensamentos e opiniões do próprio autor. O trecho acima é um diálogo completamente desnecessário para a trama em si, mas que não deixa de ter sua importância e relevância, pois uma obra, independente do estilo, é também uma extensão dos pensamentos, opiniões e sentimentos de quem a construiu. Quando o autor/autora coloca muito de si em sua obra ela acaba parecendo pregação, e quando tira muito ela parece estéril. Affonso conseguiu medir isso com maestria. Podemos concordar ou não com o que ele pensa, mas não há como negar que seus pensamentos são perfeitamente encaixados no contexto do livro.

Minha única crítica negativa a O Espadachim de Carvão é em como os diferentes tipos de personagens foram tratados, de maneira geral. Kurgala é um mundo com raças muito diversificadas (ou alienígenas, como penso que o Affonso gosta de chamá-las) ao ponto de absolutamente tudo, desde anatomia até longevidade, ser diferente entre elas. Tudo, menos as emoções. A maneira como cada raça sente e lida com esses sentimentos é idêntica a maneira dos humanos, o que tira um pouco de sua credibilidade, fazendo-as parecer mais personagens de um desenho animado do que seres reais em um mundo real. Entendo que as diferentes raças sejam na verdade metáforas para diferentes tipos de pessoas (assim como os ETs em Distrito 9) mas com uma diversificação tão grande, bem, as vezes parece meio estranho.

Mas essa é uma crítica pequena se comparada a excelente obra que é O Espadachim de Carvão. Um livro simples com um bom ritmo que altera entre o passado e o presente, de modo a não ficar frenético. Kurgala é um mundo bem concebido com personagens cativantes, coerentes e bastante reais. Recomendo para qualquer pessoa que já tenha lido uma boa obra de fantasia e gostado. E recomendo, em especial, a versão física, que vêm com belas ilustrações no começo de cada capítulo.

Curiosidade: segundo o autor, a cultura suméria foi uma forte influência para a concepção de Kurgala, desde sua mitologia até muitos dos nomes nela utilizados.

Obs.: Esse post não é um publieditorial, mas compras efetuadas a partir de alguns dos links contidos aqui, geram renda para o blog.

Título: Contos da Seleção: O Príncipe & O Guarda
Autor(a): Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 257
Ano: 2014
Skoob | GoodReads
Compre: Buscapé | Submarino
O conto O príncipe não só proporciona um vislumbre das reflexões de Maxon nos dias que antecedem A Seleção, como também revela mais um pouco sobre a família real e as dinâmicas internas do palácio. Descobrimos como era a vida do príncipe antes da competição, suas expectativas e inseguranças, assim como suas primeiras impressões quando as trinta e cinco garotas chegam. Para America, a vida antes da Seleção também era muito diferente. A começar pelo fato de que ela estava completamente apaixonada por um garoto chamado Aspen Leger. Criado como um Seis, ele nunca imaginou que acabaria se tornando membro da guarda do palácio. Em O guarda, acompanhamos Aspen a partir do momento que o grupo de trinta e cinco garotas da Seleção é reduzido para a Elite, conhecemos sua rotina dentro das paredes da casa da família real — e as verdades sobre esse mundo que America nunca chegou a conhecer.

Vou separar essa resenha por contos para melhor compreensão, espero que fique ‘entendível’ -q.

O príncipe

Esse conto foi lançado entre o lançamento de A Seleção e A Elite, até pouco tempo atrás ele era considerado o livro ‘1,5’ da série, ele não apresenta grande diferença em comparação com A Seleção, na primeira vez que li já tinha percebido isso, mas li novamente e percebi o quão irritante é essa semelhança, ele apresenta de fato uma a visão do Maxon sobre os acontecimentos e tem alguns detalhes a mais…mas é tudo focado na relação Maxon - America. É uma obra limitada e que não trás grandes revelações. A leitura, infelizmente, pode ser facilmente ignorada. 

O guarda

Quem já leu minhas resenhas da série sabe que o Max *vejam a intimidade* é o meu favorito na disputa pelo coração da America, então uma história só com a visão do Aspen não foi algo tentador, mas, felizmente, foi surpreendente. Durante os livros não é dada uma chance para o Aspen ‘mostrar a que veio' e muito menos de mostrar o porque a America gosta tanto dele, durante a leitura do conto consegui compreender o relacionamento deles, entretanto, eu continuo preferindo o Max -q . Um ponto que me incomodou bastante é que a história não mostra tudo aquilo que o Aspen é de verdade, ela se foca na vida dele no palácio, ele entra em contato com a família e em alguns momentos lembra do passado, mas de maneira geral sei que ele não tinha um passado, ele caiu de paraquedas no palácio e é isso, creio que a autora poderia ter explorado melhor a vida e a personalidade dele. Um fato interessante é que ele traz mesmo revelações, ele mostra outras versões de alguns personagens.

Queria dar o mundo a ela, mas tudo o que tinha no momento eram as roupas do corpo.
Página 156

Avaliação geral

De forma geral achei ambos os contos fracos e sem grandes novidades, eu esperava muito mais. Tem pontos na trama que eu quero ver, mas como só falta um livro para acabar a trilogia e eu acredito que ele não terá mais de 500 páginas começo a crer que não verei esses pontos serem esclarecidos, o que é uma pena. 

Embora eu não tenha gostado tanto das tramas, não posso dizer que não adorei o livro, pode soar incoerente, mas é a verdade, o capricho que a editora teve com o livro é gratificante para quem é fã. No livro esta incluso um extra que contém uma entrevista com a autora, a lista completa das selecionadas, lista de castas, árvore genealógica da America, do Aspen e do Maxon e as playlists comentadas de A Seleção e A Elite, isso pode parecer bobo, mas para quem é fã conta muito. É muito bom quando a editora mostra tamanho carinho pelos fãs <3 .

Só recomendo a leitura para quem quer ter o livro na estante, os contos foram disponibilizados gratuitamente na Amazon e no Kobo, a única coisa que não foi disponibilizada é o extra, mas como o próprio nome diz ele é um extra, não fará grande diferença para a trama. 

Aos que desejam conhecer a série, recomendo que leiam os livros e depois os contos e O guarda só leiam depois de A Elite, ele traz spoilers sobre o livro. 

Bom gente por hoje é isso, espero voltar em breve. 

Algum fã da série por ai? haha. 

Beijos!
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